Um carro abatido num centro licenciado é aproveitado quase por inteiro: a lei portuguesa exige uma taxa de valorização de 95% do peso do veículo. Só cerca de 5% acaba efetivamente em aterro.
O percurso tem cinco fases e nenhuma delas é "prensar e pronto".
Fase 1 — Despoluição
É a primeira coisa a acontecer e a mais importante do ponto de vista ambiental. Um carro médio tem entre 20 e 40 litros de fluidos que não podem chegar ao solo:
- Combustível que reste no depósito
- Óleo do motor e da caixa de velocidades
- Líquido de travões e líquido de refrigeração
- Gás do sistema de ar condicionado
- Bateria, com chumbo e ácido
- Fluido do sistema de direção assistida e dos amortecedores
Cada um destes é recolhido separadamente e encaminhado para tratamento próprio. É esta fase que justifica que o desmantelamento só possa ser feito por operadores licenciados.
Fase 2 — Remoção de peças reutilizáveis
Antes de o carro ir para a prensa, tudo o que ainda serve é retirado, testado e catalogado: motores, caixas, alternadores, faróis, portas, bancos, módulos eletrónicos.
Estas peças voltam ao mercado de usados. É o que permite reparar um carro de 15 anos por um preço que faça sentido — e é a razão pela qual um veículo completo vale mais na avaliação do que um já "aproveitado".
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Fase 3 — Componentes com tratamento próprio
| Componente | Destino |
|---|---|
| Catalisador | Recuperação de platina, paládio e ródio |
| Bateria | Reciclagem de chumbo e neutralização do ácido |
| Pneus | Granulado de borracha ou valorização energética |
| Vidro | Reciclagem, separado do laminado |
| Airbags | Neutralização controlada antes do desmantelamento |
Fase 4 — Fragmentação e separação de materiais
A carcaça despoluída é prensada e fragmentada. Depois separa-se por tipo de material:
- Aço e ferro — a maior fatia do peso, cerca de 70%. Vai para aciaria e volta como aço novo.
- Alumínio e cobre — jantes, radiadores, cablagem. Valor alto e reciclagem quase infinita.
- Plásticos — para-choques, painéis, revestimentos.
Fase 5 — O que sobra
Cerca de 5% do peso é resíduo não valorizável: espumas, tecidos contaminados, materiais compósitos difíceis de separar. É a única parte que segue para aterro.
Porque é que isto interessa a quem vende
Porque explica o preço. O valor que recebe por um carro para abate vem exatamente daqui: do peso em aço, do catalisador, do alumínio e das peças que ainda servem. Quando falta o catalisador ou o motor, tira-se a parte mais rentável da equação — e o valor cai a pique.
Perguntas frequentes
Quanto de um carro é reciclado?
A legislação exige uma taxa de valorização de 95% do peso do veículo.
O que acontece aos fluidos do carro?
São removidos na fase de despoluição e encaminhados para tratamento como resíduos perigosos.
As peças do meu carro podem ser revendidas?
Sim. Peças em bom estado são testadas e voltam ao mercado de usados, o que reduz o custo de reparações noutros veículos.
O que acontece à bateria?
É removida e encaminhada para reciclagem própria, por conter chumbo e ácido.
E aos pneus?
São separados e valorizados, normalmente em granulado de borracha ou como combustível alternativo.
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